
“Estou com gastrite.”
Essa é uma das frases mais ouvidas nos consultórios da atenção primária.
Mas, na prática, muitas vezes o que o paciente chama de gastrite é dispepsia funcional.
Nem toda dor no estômago é inflamação da mucosa.
E nem toda gastrite causa dor.
🔎 O que é gastrite, de fato?
Gastrite é inflamação da mucosa gástrica confirmada por biópsia.
Ou seja: o diagnóstico verdadeiro é histológico.
Na maioria dos atendimentos ambulatoriais, lidamos com sintomas dispépticos — não necessariamente com gastrite confirmada.
🦠 Principais causas de gastrite orgânica
• Helicobacter pylori
• Uso crônico de AINEs
• Álcool e tabagismo
• Estresse fisiológico grave (UTI, trauma, sepse)
🩺 Quadro clínico mais comum
• Dor ou queimação epigástrica
• Plenitude pós-prandial
• Saciedade precoce
• Náuseas
⚠ Sinais de alarme que mudam conduta:
• Perda de peso involuntária
• Anemia
• Disfagia
• Vômitos persistentes
• Sangramento digestivo
🧪 Quando indicar endoscopia?
✔ Presença de sinais de alarme
✔ Idade ≥ 40–45 anos (conforme protocolo local)
✔ Falha terapêutica após tratamento empírico
✔ Suspeita ou necessidade de testar H. pylori
Paciente jovem, sem sinais de alarme, pode iniciar tratamento clínico antes da investigação invasiva.
💊 Tratamento racional
• IBP por tempo determinado
• Erradicação do H. pylori quando indicado
• Revisar uso de AINEs
• Orientações dietéticas individualizadas
Uso prolongado de IBP sem indicação deve ser reavaliado.
🎯 Mensagem-chave
Gastrite não é sinônimo de qualquer dor epigástrica.
O exame confirma.
O contexto orienta.
O raciocínio define a conduta.
Menos rótulo.
Mais critério clínico.
📚 Referências
• Consenso Brasileiro sobre H. pylori
• Diretrizes Brasileiras de Dispepsia
• ACG Clinical Guideline – Dyspepsia
