
Estima-se que grande parte das prescrições de antibióticos na pediatria ocorra em infecções de provável etiologia viral.
O uso inadequado não é um problema individual — é um problema de saúde pública. A resistência antimicrobiana já é considerada uma das maiores ameaças globais à saúde.
Prescrever antibiótico exige critério clínico, não apenas pressão familiar ou insegurança diagnóstica.
🔎 Quando o antibiótico está indicado?
✔ Otite média aguda em menores de 2 anos com diagnóstico clínico definido ou quadro moderado/grave
✔ Pneumonia bacteriana (febre alta persistente, taquipneia, consolidação ao exame físico)
✔ Faringoamigdalite estreptocócica confirmada por teste rápido ou critérios clínicos consistentes
✔ Infecção do trato urinário confirmada por exame de urina/cultura
✔ Celulite e infecções bacterianas de pele
✔ Sinusite bacteriana com sintomas persistentes (>10 dias) ou piora clínica
A decisão deve integrar história clínica, exame físico e, quando necessário, exames complementares.

🚫 Quando não está indicado?
• Resfriado comum
• Influenza
• Bronquiolite
• Laringite viral
• Faringite sem critérios para estreptococo
• Tosse isolada sem sinais de pneumonia
Na maioria desses quadros, o tratamento é sintomático e o curso é autolimitado.
🧠 Raciocínio clínico
Antes de prescrever, reflita:
1️⃣ Há evidência clara de infecção bacteriana?
2️⃣ O tempo de evolução é compatível com processo viral?
3️⃣ Existem sinais de gravidade?
4️⃣ É possível realizar observação segura com reavaliação programada?
A conduta expectante, quando bem indicada, é medicina responsável — não omissão.
⚠️ Consequências do uso inadequado
• Resistência bacteriana crescente
• Reações adversas (rash, diarreia, alergias)
• Alteração da microbiota intestinal
• Aumento do risco de infecções futuras por germes resistentes
• Maior custo para o sistema de saúde
🔑 Mensagem-chave
Na pediatria, menos pode ser mais.
Antibiótico salva vidas quando bem indicado — e causa dano quando usado sem critério.
Prescrição racional é prática baseada em evidência e responsabilidade coletiva.
📚 Referências
• Sociedade Brasileira de Pediatria – Uso Racional de Antimicrobianos
• American Academy of Pediatrics (AAP) Guidelines
• WHO – Antimicrobial Resistance Global Report
