
A ansiedade é uma das condições mais frequentes na Atenção Primária — e também uma das mais mal conduzidas.
Muitos pacientes chegam com sintomas físicos: palpitação, dor torácica inespecífica, tontura, insônia, desconforto gastrointestinal. Nem sempre a queixa inicial é “ansiedade”.
A ansiedade está entre os transtornos mentais mais prevalentes no contexto da Atenção Primária, sendo encontrada com frequência em consultas de rotina. Boa parte dos casos pode e deve ser manejada no próprio nível primário de cuidados, com intervenções psicossociais, farmacológicas e acompanhamento longitudinal.
📌 Primeiro ponto: tratamento de base
A primeira linha são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, como sertralina e escitalopram.
Condutas essenciais:
- Iniciar com dose baixa
- Orientar latência terapêutica de 2 a 4 semanas
- Alertar sobre possível piora inicial dos sintomas
- Manter por 6 a 12 meses após remissão
⚠️ Benzodiazepínicos
Não são tratamento de manutenção.
Podem ser usados por curto prazo, em crise aguda ou como ponte terapêutica — sempre com plano claro de retirada.
🧠 Intervenções não farmacológicas
Na Atenção Primária, pequenas intervenções têm grande impacto:
- Higiene do sono
- Redução de cafeína
- Atividade física regular
- Psicoterapia, especialmente terapia cognitivo-comportamental
🔎 Acompanhamento
Reavaliar em 4 semanas.
Monitorar resposta, adesão, efeitos adversos e sintomas depressivos associados.
🎯 Mensagem final
Tratar ansiedade na Atenção Primária não é apenas prescrever.
É estruturar, orientar e acompanhar.
Ansiedade tem tratamento eficaz — e começa na base do sistema.
📚 Referências
- Plano terapêutico para transtornos de ansiedade na Atenção Primária — Linha de Cuidado do Ministério da Saúde (Brasil).
