A cardiotocografia (CTG) é um método de monitorização que avalia simultaneamente a frequência cardíaca fetal (FCF) e a atividade uterina. É utilizada principalmente na vigilância do bem-estar fetal e durante o trabalho de parto.
O raciocínio deve ser simples:
INDICAR → INTERPRETAR → CLASSIFICAR → CONDUZIR
1. 📌 QUANDO INDICAR?
🤰 Anteparto
A CTG pode ser utilizada na vigilância fetal de gestantes com maior risco de desfechos perinatais, como:
hipertensão/preeclâmpsia;
diabetes;
restrição de crescimento fetal;
redução dos movimentos fetais;
gestação pós-termo;
alterações do líquido amniótico;
outras condições maternas ou fetais de alto risco.
Gestação de baixo risco não significa indicação automática de CTG seriada.
👶 Intraparto
Durante o trabalho de parto, a CTG permite avaliar a resposta da FCF às contrações uterinas, especialmente quando há indicação de monitorização fetal contínua.
2. ❤️ OS 5 PARÂMETROS DA CTG
① LINHA DE BASE
É a frequência cardíaca fetal média.
🟢 Normal: 110–160 bpm
🔴 Taquicardia: >160 bpm
🔵 Bradicardia: <110 bpm
② VARIABILIDADE
Representa as oscilações da FCF em torno da linha de base.
🟢 Normal: 5–25 bpm
A variabilidade moderada é um importante sinal de boa resposta autonômica fetal.
③ ACELERAÇÕES
Elevações transitórias da FCF.
Após 32 semanas:
≥15 bpm por ≥15 segundos
Antes de 32 semanas:
≥10 bpm por ≥10 segundos
Na CTG anteparto, a presença de acelerações ajuda a demonstrar reatividade fetal.
④ DESACELERAÇÕES
São quedas transitórias da FCF.
A relação com a contração é fundamental para diferenciá-las.
⑤ CONTRAÇÕES UTERINAS
Avaliar frequência e padrão das contrações.
🚨 Taquissistolia: >5 contrações em 10 minutos, em média.
Pode ocorrer especialmente com uso de uterotônicos e aumentar o risco de alterações da FCF.
3. ⬇️ DESACELERAÇÕES: O QUE MAIS CAI NA PROVA
🟢 PRECOCE
Coincide com a contração.
➡️ Geralmente relacionada à compressão da cabeça fetal.
➡️ Habitualmente fisiológica.
🟡 VARIÁVEL
Início abrupto e formato variável.
➡️ Geralmente relacionada à compressão do cordão umbilical.
A importância depende da frequência, duração, profundidade e recuperação.
🔴 TARDIA
Ocorre após o início da contração, com o nadir após o pico da contração.
➡️ Sugere insuficiência útero-placentária.
➡️ Desacelerações tardias recorrentes são um achado de maior preocupação.
🚨 PROLONGADA
Queda da FCF ≥15 bpm com duração prolongada.
➡️ Exige avaliação imediata da causa e do estado fetal.
4. 🟢🟡🔴 CLASSIFICAÇÃO NICHD/ACOG
🟢 CATEGORIA I — NORMAL
Linha de base: 110–160 bpm
Variabilidade: moderada
Sem desacelerações tardias
Sem desacelerações variáveis recorrentes
➡️ Baixo risco de acidemia fetal
Conduta:
Manter vigilância habitual.
🟡 CATEGORIA II — INDETERMINADA
É o grupo dos traçados que não preenchem critérios de I ou III.
Pode apresentar:
taquicardia;
bradicardia sem ausência de variabilidade;
variabilidade mínima;
ausência de acelerações;
desacelerações variáveis;
desacelerações tardias com variabilidade moderada.
➡️ Não significa automaticamente sofrimento fetal.
Conduta:
Avaliar → procurar causa → corrigir fatores reversíveis → reavaliar.
🔴 CATEGORIA III — ANORMAL
A Categoria III é definida pela presença de variabilidade ausente associada a:
Desacelerações tardias recorrentes; OU
Desacelerações variáveis recorrentes; OU
Bradicardia.
Também é Categoria III quando há padrão sinusoidal.
padrão sinusoidal.
➡️ Maior risco de comprometimento fetal.
Conduta:
Intervenção imediata conforme o contexto clínico e obstétrico.
5. 🚑 O QUE FAZER DIANTE DE UMA CTG ALTERADA?
Uma alteração do traçado não significa automaticamente cesariana.
PRIMEIRO:
🔎 Procure causas reversíveis
⬇️
Posição materna
Hipotensão
Taquissistolia
Uso de ocitocina
Febre materna
Compressão do cordão
⬇️
DEPOIS:
Corrigir a causa + reavaliar o traçado
⬇️
SE PERSISTIR ALTERAÇÃO IMPORTANTE:
Avaliação obstétrica imediata
⬇️
Considerar resolução do parto conforme o contexto.
6. 🧠 COMO INTERPRETAR NA PROVA?
Ao receber uma cardiotocografia, siga sempre esta ordem: