🌸Climatério: como reconhecer, investigar e conduzir a mulher na transição para a menopausa

climatério é uma fase fisiológica da vida da mulher marcada pela transição do período reprodutivo para o não reprodutivo. As alterações progressivas da função ovariana podem provocar sintomas vasomotores, alterações do sono e do humor, manifestações geniturinárias e mudanças que repercutem na saúde cardiovascular e óssea.

Para o médico, o acompanhamento dessa fase deve ir além do controle dos sintomas, incluindo avaliação individualizada dos riscos, prevenção de doenças e orientação sobre as opções terapêuticas disponíveis.

🌸 Conceito

O climatério corresponde ao período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva.

perimenopausa é caracterizada pelas alterações da função ovariana que antecedem a menopausa, frequentemente acompanhadas por irregularidade menstrual e sintomas vasomotores.

menopausa é definida retrospectivamente após 12 meses consecutivos de amenorreia, na ausência de outra causa.

Já o período posterior é denominado pós-menopausa.

🧬 Mudanças hormonais e fisiológicas

Durante a transição menopausal ocorre redução progressiva da função ovariana, com alterações na produção dos hormônios sexuais, especialmente o estradiol.

A deficiência estrogênica está relacionada a diversas manifestações clínicas, incluindo sintomas vasomotores, alterações geniturinárias e mudanças na saúde óssea e metabólica.

A intensidade dos sintomas varia significativamente entre as mulheres.

🔥 Principais manifestações

Entre os sintomas mais frequentes estão:

🔥 Sintomas vasomotores
  • Ondas de calor;
  • Sudorese noturna;
  • Rubor;
  • Palpitações;
  • Despertares noturnos.

Os fogachos estão entre as manifestações mais características da transição menopausal e podem comprometer significativamente o sono e a qualidade de vida.

😴 Sono e alterações emocionais
  • Insônia;
  • Fadiga;
  • Irritabilidade;
  • Ansiedade;
  • Alterações do humor;
  • Dificuldade de concentração.
🌸 Síndrome geniturinária da menopausa

A deficiência estrogênica também pode provocar:

  • Ressecamento vaginal;
  • Redução da lubrificação;
  • Ardência;
  • Dispareunia;
  • Sintomas urinários;
  • Infecções urinárias recorrentes.

Essas manifestações podem persistir ou se tornar mais evidentes ao longo da pós-menopausa.

🔎 Diagnóstico

Na maioria das mulheres com 45 anos ou mais e quadro clínico compatível, o diagnóstico da transição menopausal é predominantemente clínico.

A avaliação deve incluir:

  • História menstrual;
  • Data da última menstruação;
  • Alterações no padrão dos ciclos;
  • Sintomas vasomotores;
  • Sono e humor;
  • Sintomas geniturinários;
  • História clínica e fatores de risco.

A dosagem de FSH não é necessária de rotina para confirmar a menopausa em mulheres ≥45 anos com apresentação clínica típica.

A investigação hormonal pode ser considerada em situações específicas, principalmente diante de dúvida diagnóstica ou apresentação em idade mais jovem.

⚠️ Atenção para a menopausa antes dos 40 anos

A ocorrência de amenorreia associada a sinais de falência ovariana antes dos 40 anos deve levantar a possibilidade de insuficiência ovariana prematura, situação que necessita de investigação específica.

🩺 Avaliação integral da mulher

A consulta durante o climatério representa uma oportunidade para avaliar diferentes aspectos da saúde.

❤️ Saúde cardiovascular
  • Pressão arterial;
  • Perfil lipídico;
  • Diabetes mellitus;
  • Tabagismo;
  • Peso e composição corporal;
  • Atividade física;
  • História familiar e fatores de risco cardiovascular.
🦴 Saúde óssea

A deficiência estrogênica está associada à perda acelerada de massa óssea.

Devem ser avaliados:

  • Risco de osteoporose;
  • História de fraturas;
  • Ingestão de cálcio;
  • Atividade física;
  • Vitamina D conforme indicação;
  • Necessidade de densitometria óssea conforme o risco individual.
🧠 Saúde mental e qualidade de vida

Alterações do sono, ansiedade, depressão, alterações cognitivas e impacto dos sintomas sobre as atividades diárias também devem fazer parte da avaliação.

💊 Tratamento

O tratamento deve ser individualizado, considerando a intensidade dos sintomas, o impacto na qualidade de vida, idade, tempo desde a menopausa, fatores de risco, contraindicações e preferências da paciente.

Entre as estratégias disponíveis estão:

  • Mudanças no estilo de vida;
  • Atividade física regular;
  • Medidas comportamentais;
  • Terapias não hormonais;
  • Terapia hormonal da menopausa;
  • Tratamento específico para sintomas geniturinários.

💊 Terapia hormonal

A terapia hormonal é uma opção importante para mulheres com sintomas climatéricos, especialmente sintomas vasomotores, desde que não existam contraindicações.

A decisão deve considerar a relação individual entre benefícios e riscos.

Nas mulheres com útero, a utilização de estrogênio sistêmico geralmente deve ser associada a um progestagênio, com objetivo de proteção endometrial.

Em mulheres submetidas à histerectomia, o estrogênio isolado pode ser considerado em situações apropriadas.

A FEBRASGO destaca que a terapia hormonal deve ser individualizada quanto à indicação, dose, via e tipo de hormônio.

🌿 Quando a terapia hormonal não é utilizada?

Mulheres que apresentam contraindicação ou que não desejam utilizar terapia hormonal podem ser manejadas com alternativas não hormonais.

Para sintomas geniturinários, podem ser utilizados:

  • Lubrificantes vaginais;
  • Hidratantes vaginais;
  • Terapias locais em pacientes selecionadas.

A escolha deve considerar o quadro clínico e os objetivos da paciente.

🩸 Sangramento após a menopausa

sangramento vaginal após a menopausa não deve ser considerado normal.

Apesar de diversas causas serem benignas, é necessário investigar alterações endometriais, incluindo neoplasias.

A avaliação pode envolver ultrassonografia transvaginal e, conforme os achados clínicos e de imagem, investigação endometrial.

📊 Doctor News na Prática

Caso clínico

Uma mulher de 52 anos procura atendimento relatando ondas de calor intensas, sudorese noturna e dificuldade para dormir. Refere que suas menstruações ficaram irregulares nos últimos dois anos e está há oito meses sem menstruar.

Qual deve ser a abordagem inicial?

Resposta: a paciente apresenta quadro compatível com transição menopausal. A avaliação deve ser predominantemente clínica, considerando sintomas, padrão menstrual, impacto na qualidade de vida e fatores de risco. A dosagem de FSH não é necessária de rotina em mulheres ≥45 anos com apresentação típica.

A partir dessa avaliação, devem ser discutidas medidas comportamentais e opções terapêuticas, incluindo terapia hormonal quando indicada e na ausência de contraindicações.

💡 Informativo do Doctor News

• Climatério e menopausa não são sinônimos. O climatério é um período de transição, enquanto a menopausa representa um marco definido após 12 meses de amenorreia.

• Em mulheres ≥45 anos com quadro típico, o diagnóstico da menopausa é geralmente clínico.

• Os sintomas podem ultrapassar os fogachos e envolver sono, humor, sexualidade, trato geniturinário e cognição.

• A consulta do climatério também deve abordar saúde cardiovascular, óssea e metabólica.

• A terapia hormonal deve ser individualizada, considerando benefícios, riscos, contraindicações e preferências da paciente.

• Sangramento após a menopausa exige investigação.

📌 Mensagem-chave

O climatério é uma fase fisiológica, mas não deve ser negligenciado.

O diagnóstico adequado, a identificação dos sintomas e a avaliação global da saúde permitem oferecer uma abordagem individualizada, com foco na qualidade de vida, prevenção de doenças e envelhecimento saudável.

Reconhecer os sintomas é importante. Individualizar a conduta é essencial.

📚 Referências

  1. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa. 2024.
  2. FEBRASGO. Climatério e Menopausa. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
  3. FEBRASGO. Menopausa: cerca de 17 milhões de mulheres no Brasil estão no climatério. 2025.

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